Frantic Flintstones troca Alemanha por Curitiba
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sábado, 09 de agosto de 2008
Rodrigo Juste Duarte<br>Equipe da Folha 
Quem diria que um dia o vocalista de uma banda internacional se mudaria de mala e cuia para Curitiba, e continuaria tocando sua carreira artística no Brasil? Como é de se imaginar, há uma mulher nesta história. Não é um fato inédito, basta lembrar que nomes como Nick Cave, Wayne Hussey (do The Mission) e, mais recentemente, Eugene Hutz (do Gogol Bordello) também fixaram residência no País pelo mesmo motivo.
A diferença com o britânico Chuck Harvey é que ele não apenas veio morar, mas também remontar sua banda com músicos de Curitiba. Desta forma, o Frantic Flintstones (FF) está com sede na capital paranaense. Esta é a segunda vez que a banda muda de país. Em seus 22 anos de existência, residiram na Inglaterra, seu país natal, e na Alemanha.
O início deste processo começou em setembro do ano passado, quando o FF realizou sua primeira turnê no Brasil, ainda com músicos estrangeiros. O vocalista Chuck Harvey retornou a Curitiba no início deste ano para rever a namorada que conheceu na cidade e também para prestigiar o festival Psycho Carnival, o maior evento do gênero no País.
''Nesta ocasião calhou de rolar um show do meu projeto solo, Chuck and the Crack-Pipes, que eu nem pensava em fazer, foi especial para o Brasil, com músicos brasileiros'', lembra Chuck. Depois da visita, retornou à Europa para retomar as atividades do FF, desta vez com um músico de Curitiba na formação, o baixista Ricardo Huczok, também conhecido como Coxinha ou Mutant Cox.
''Fui convidado para integrar a banda. Gravamos um EP de cinco faixas, que ainda será lançado, e começamos uma turnê'', relata Cox. ''Mesmo com a banda tocando na Europa, o plano dele era vir morar aqui. E quando tivesse turnê com o Frantic, eu e ele viajávamos para tocar'', relata.
Nem tudo saiu como planejado, pois o guitarrista e o baterista resolveram pular fora no meio da turnê, o que levou Cox a retornar e Chuck a se mudar definitivamente para o Brasil. ''Acho que foi melhor, pois agora a banda tem todos os músicos morando na mesma cidade e podemos nos reunir todos os dias e ensaiar sempre que quisermos. Mesmo quando estávamos na Europa, cada integrante morava em uma cidade diferente da Alemanha, e o guitarrista estava na Suécia. Para reunir todos era muito trabalhoso'', analisa Cox.
''O Brasil é muito melhor'', alegra-se Chuck. ''É um lugar exótico, e gostei de ter tocado com a formação do show no Psycho Carnival'', completa. A rematerialização do FF no Brasil conta com metade dos músicos da banda Hillbilly Rawhide. São eles: o baixista Mutant Cox (também do Sick Sick Sinners), o guitarrista Mario Larápio, o violonista Mark Cleverson (também do Hellfishes), além do baterista Germano Diedrichs (Los DiaÀos).
''Para tocar com o FF, eu precisava que todos os integrantes se dedicassem à banda de coração, alma e mente. Viver a banda e não tocar apenas por dinheiro, mas por amor ao rock, e eu acho que isso eles têm. Ninguém aqui é metido a estrela'', orgulha-se Chuck.
Os trabalhos com a banda estão à todo vapor. ''Escrevi 15 músicas novas nos últimos dois meses. Na Europa isso não acontecia. A banda estava muito acomodada por lá, sequer ensaiava''. Com tantas músicas novas, o objetivo é lançar um disco duplo, quebrando um hiato de cinco anos sem lançar um álbum completo. ''Pretendemos fazer um disco psychobilly e outro com canções influenciadas por country'', adianta Chuck.
A principal meta no momento são os ensaios para estrear o primeiro show com a nova formação, marcado para o dia 6 de setembro, na próxima edição do Psychobilly Fest, realizado no Jokers Pub, em Curitiba. ''Depois queremos tocar em várias cidades brasileiras. Em março temos uma turnê na Europa, que vai durar um mês. Vamos passar pela Inglaterra, Bélgica, Holanda, Alemanha, e vários outros países'', revela.
Em relação à vinda da banda para o Brasil, Chuck e seus colegas esperam que a cena psychobilly cresça e se fortaleça ainda mais. ''Onde nos oferecerem para tocar, a gente quer ir, inclusive em cidades onde nenhuma banda psychobilly jamais tocou, para que o estilo tenha mais fãs. Eu garanto que quem for a um show do Frantic Flintstones, vai curtir''.


