O sucesso da franquia ''Jogos Mortais'' não deveria ser nenhuma grande surpresa para ninguém. É o perfeito tipo de filme para pessoas que passaram a infância arrancando asas de borboletas ou incinerando formigas com lentes de aumento, mas que felizmente não se transformaram em serial killers. Mas da mesma forma que os criadores dos ''X-Files'' aprenderam, e o pessoal que está por trás de ''Lost'' muito em breve também vai saber, você não pode manipular indefinidamente uma platéia - mesmo uma platéia tão leal quanto demente -, antes que ela comece a gritar de indignação e migre para alguma outra coisa manipuladora que surja na tela. E como estas coisas surgem na tela!
''Jogos Mortais 3'' está fazendo a carreira comercial que seus produtores previram, mas este pode ser o ponto de ruptura para uma legião de fãs do horror. Enquanto os dois primeiros da série arregimentaram seguidores principalmente por conta de finais tão sanguinariamente espetaculares quanto inacreditáveis, este terceiro é tédio puro grande parte do tempo, já em si pecado mortal sem remissão. E pior ainda, os roteiristas já propõe uma quarta sequela, mesmo com o Jigsaw Killer e seu comparsa maluco tendo promovido tal banho de sangue que simplesmente eliminou elencos inteiros, sem mais viva alma para liquidar.
Para quem não sabe o que é o fenômeno - e se é você dê-se por contente -, a trilogia ''Jogos Mortais'' não requer explicações esticadas. Um serial killer devastado por um câncer (Tobin Bell) coloca pessoas de quem ele não gosta em complicadas armadilhas, das quais só é possível escapar através de auto-mutilação - corta-se uma perna aqui, arranca-se boa quantidade de pele ali, mais ou menos uma cesta básica de sadismo. Quando não conseguem, são executadas, geralmente por algum tipo de armadilha gigante de pegar urso ou por explosão que espalha vísceras por todas as paredes do recinto.
Nesta mais recente porção de truculência, a direção de Darren Lynn Bousman se desdobra em estética ''clipeira'', na avalanche de efeitos e na artificialidade, que nada mais fazem a não ser amplificar os imensos vazios do argumento e a precariedade do roteiro. Na verdade, o que incomoda de fato e torna este tipo de filme ainda mais deprimente não é a ''criatividade'' na prospecção do sangue que jorra à vontade, mas sim a visão desoladora da natureza humana. Na cena de abertura, um homem se liberta do mecanismo que aprisiona seu tornozelo esmigalhando o pé com um tijolo. Felizmente, tudo o que o espectador incauto precisa fazer é levantar da poltrona e sair do cinema, já que nada prende seu tornozelo.(C.E.L.J.)

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