Frank Aguiar vai para a telona
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terça-feira, 17 de novembro de 2009
Fernanda Brambilla<br> Agência Estado 
Frank Aguiar se licenciou do cargo de vice-prefeito de São Bernardo do Campo (SP) para uma viagem às origens. O destino é Itainópolis, cidadezinha de 10 mil habitantes no interior do Piauí, de onde o filho de lavradores partiu para virar ''o cãozinho dos teclados'' e erguer um império do forró. Lá, o cantor vai acompanhar ''cena por cena'' da produção de seu filme, ''Os Sonhos de um Sonhador - A História de Frank Aguiar'', que sai no ano que vem.
''Eu tinha tudo para não dar certo, mas dei'', resume Frank Aguiar. ''É o que quero dizer aos brasileiros. O povo precisa de gás. Esse filme é uma exaltação.'' A ideia nasceu do diretor Caco Milano, que queria fazer um longa sobre alguém que ''motivasse'' os brasileiros. ''As pessoas aqui têm mania de idolatrar heróis estrangeiros e isso me irrita'', explica o diretor. ''Queria uma referência popular.
O filme deixou de fora as acusações de violência doméstica feitas pela ex-mulher de Frank, Renata Banhara, em 2007. ''Aparecem só umas namoradinhas, mas de leve'', diz Frank. ''Mulher de artista espanta as fãs. Não ligo que me beijem, abracem, passem a mão na minha bunda. Ainda bem que a minha (a esposa, Aline) não gosta de aparecer.''
No relato cinematográfico, portanto, ganham destaque os episódios curiosos da trajetória de Frank na busca pelo estrelato. Decidido a ser músico, o garoto se despediu dos cinco irmãos e contrariou os pais, pobres, que torciam para que virasse ''doutor''. O jovem sonhador embarcou em um ônibus e pagou a escola com apresentações de teclado nas missas. Ele mesmo vendeu seus primeiros shows por R$ 50.
Quando finalmente arranjou algum dinheiro, Frank Aguiar comprou instrumentos, formou uma banda e armou um show grande em outra cidade. ''Uma das cordas da caminhonete se soltou e os instrumentos caíram na estrada. Acabaram espatifados'', conta o produtor-executivo do filme, Marco Audrá. Mas o artista pediu microfone emprestado e fez o show.
A ambição venceu o medo da cidade grande quando Frank tinha 19 anos e pisou pela primeira vez em São Paulo. Ele gravava fitas cassetes e as deixava em camelôs em consignação. ''Frank pedia aos amigos que comprassem, para fazer nome'', diz Marco Audra.
Em meio à onda de filmes biográficos que têm como elo a superação, Caco Milano tenta se descolar do tom dramático. '''2 Filhos de Francisco' é pesado, fala de outro nível de dificuldade. O filme do Lula (''Lula, o Filho do Brasil'', de Fábio Barreto, que estreia em 1º de janeiro de 2010) fala de miséria e é absolutamente politizado'', diz o diretor. ''Esse filme não é comédia, mas é alto astral.'' O próprio Frank quis esse tom: ''Há momentos de sofrimento, mas sem miséria. Adversidades foram vencidas com alegria. Nunca passei fome. Fui pobre, mas feliz''.
Para viver o cantor que vendeu mais de três milhões de discos sem gravadora e mantém hoje uma dúzia de shows por mês, foi escalado o garoto piauiense Luigo Vaz, de 14 anos, que interpreta Frank na infância. A maior parte das cenas, porém, fica com o ator global Gustavo Leão, de 22 anos.
O ator já sabe os trejeitos do personagem. ''Frank só desce do carro com o pé direito. Se sai de casa e esquece algo, manda buscar, porque ele não volta.


