Franceses mudam comportamento cultural
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de junho de 1998
Jotabê Medeiros Agência Estado 
Periodicamente, o governo francês realiza pesquisas para definir o comportamento de sua indústria cultural e o perfil do consumidor dos produtos culturais. Essa prática foi adotada durante o governo de François Mitterrand, na gestão Jack Lang.
Foi numa dessas primeiras pesquisas que se descobriu que o francês não tinha, afinal de contas, uma cardápio cultural tão sofisticado assim. Deixara de frequentar concertos e óperas, por exemplo. A televisão passara a ser a grande parceira de fim de semana dos franceses.
No mais recente levantamento, em 1996, outro choque: caíra a frequência aos museus, que são auto-sustentados e se mantêm apenas com a renda de suas bilheterias. Em 1996, cerca de 8 milhões de pessoas passaram pelos 33 maiores museus franceses, 12% menos do que o registrado no ano anterior.
Parece um número insignificante, dado o afluxo de público. Mas representou um prejuízo de US$ 16 milhões naquele ano. A administração dos museus vive, ainda hoje, a expectativa de voltar à marca recorde de 10 milhões de visitantes, verificada nos primeiros anos da década.
Um dado importante sobre os franceses é que eles prezam muito sua propalada auto-suficiência cultural. Apenas 15% deles costumam viajar para o exterior.
Pesquisa recente do Escritório de Turismo da França sobre qual é a visão que o francês tem do brasileiro mostra que nos vêem como perdulários (brasileiros gastam três vezes mais que a média dos estrangeiros na França e adoram dar presentes), individualistas e gente que sempre faz questão de um aparelho de TV nos hotéis.


