Franceses acertam detalhes da exposição "O Brasil Barroco", em Paris
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terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
Por Adriana Ferreira 
Rio, 24 (AE) - O diretor para Assuntos Culturais de Paris, Jean Gautier, o diretor do museu Petit-Palais, Gilles Chazal, e a diretora dos museus da cidade, Aimée Fontaine, estão no Brasil para acertar detalhes da exposição "O Brasil Barroco", que será aberta em outubro, no Petit-Palais, em Paris. Eles tentam também captar recursos para a realização da mostra. Os organizadores já obtiveram R$ 200 mil do Ministério da Cultura. A exposição ocupará 1,8 mil metros quadrados e exibirá cerca de 350 obras, destas, 150 já estão selecionadas.
O escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, terá sala especial. Já está confirmada a exposição de pelo menos 20 obras do artista. Chazal comparou-o a Michelangelo: "O público francês tem de descobrir que ele (Aleijadinho) é um dos maiores escultores do mundo".
A diretora dos museus parisienses aposta na exposição como um caminho para que franceses e europeus conheçam o barroco brasileiro. "Nas nossas livrarias há poucos registros desse segmento da arte brasileira", observou. A expectativa é de que 250 mil pessoas visitem a mostra nos três meses em que ficará aberta. A exposição custará 16 milhões de francos (cerca de R$ 5 milhões). Brasil e França dividirão as despesas.
Recursos - Em sua terceira viagem ao Brasil, Chazal negociou empréstimos de obras com o Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, com o Museu de Sabará, e com colecionadores como Beatriz Pimenta Camargo, que cedeu uma série de gravuras. A organização da mostra, porém, não conseguiu sensibilizar a comunidade mineira de Congonhas do Campo, que se nega a emprestar algumas das esculturas de madeira confeccionadas em tamanho natural por Aleijadinho. Embora contem com o apoio do secretário de Cultura de Minas Gerais, ¶ngelo Oswaldo, que é, inclusive, um dos curadores de "O Brasil Barroco", os franceses não tiveram sucesso nas conversas. "Eu tenho que respeitar a vontade da comunidade, que cultua as imagens de Aleijadinho", afirmou Chazal, que deverá voltar ao Brasil em março, para uma última garimpagem de obras. Exposição - O mapa da exposição já está todo pronto. Serão 12 salas que abrigarão esculturas, fotos, elementos decorativos da arquitetura e peças de prata e de ouro. A primeira sala será destinada a mapas e gravuras, contando um pouco do século XVI. Nela serão expostas cerca de cinco ou seis peças da arte portuguesa, para mostrar sua influência na produção artística brasileira. Na sala seguinte estarão quadros do pintor Frans Post (a organização da mostra está pedindo ao Museu do Louvre o empréstimo de oito quadros do pintor, que fazem parte de seu acervo).
As salas 3, 4 e 5 serão destinadas a contar um pouco do ciclo do açúcar. Fotos e peças de igrejas do Nordeste e esculturas de Agostinho da Piedade farão parte deste segmento, além de trabalhos em marfim. O ciclo do ouro será tema a partir da sala 6 até o final da mostra. Além do espaço dedicado exclusivamente a Aleijadinho, haverá obras de Mestre Valentim e de Carlos Julião.


