São Paulo - A museologia é coisa séria na França. Daí porque também recebe tratamento sério: só nos últimos 20 anos, 400 museus foram reformados ou construídos no País. O resultado: a frequência explodiu, passando de 5,3 milhões de visitantes em 1980 para 9,3 milhões em 1996. As mais recentes instituições, como o museu arqueológico de St-Romain-en-Gal, mostram que esse desempenho não é mero acaso. Projeto do escritório do arquiteto Philippe Chaix, o museu é um conceito não só revolucionário, como de extrema beleza. Foi construído sobre um sítio arqueológico descoberto em 1968. St-Romain-en-Gal fica às marges do Ródano, na cidade de Vienne, 30 quilômetros ao sul de Lyon.
"Nós o projetamos sobre postes finos, microcolunas, cada uma num lugar bem determinado para não comprometer o material arqueológico", diz o arquiteto Remi Van Nieu Wonhove, do escritório de Chaix e um dos responsáveis pelo projeto. Wonhove, Chaix e Dominique Boudet (redator-chefe da revista Le Moniteur) estão em São Paulo para participar hoje, na Bienal de Arquitetura, da conferência-debate Os Museus do Terceiro Milênio - Museus e Arquitetura.
O escritório de Philippe Chaix também venceu a concorrência para o projeto de renovação do Petit Palais, em Paris. Custará cerca de US$ 50 milhões. "É outra problemática, outra resposta", diz Wonhove. "Além da reforma, temos que adequar uma tecnologia internacional de conservação e renovação das obras à história do museu", diz Wonhove.
Os novos museus franceses são tema da exposição homônima na bienal, que apresenta 10 anos de arquitetura nos museus (1990-1999), sob a curadoria de Jean-Paul Midant, professor da escola de arquitetura de Nancy e produzida pelo Ministério da Cultura e da comunicação e pela Associação Francesa de Ação Artística (AFAA). A exposição mostra 17 museus franceses que confrontam vários temas - arte, arqueologia, memória, história natural.
Dois filmes produzidos por Patrick Ladoucette acompanham a exposição. Um é dedicado à recuperação de um edifício do século 19 no Museu de Belas Artes de Lyon. O outro é para o projeto do escritório de Philippe Chaix, o magnífico museu de St-Romain-en-Gal. Os museus selecionados - temas também de uma edição especial de Le Moniteur - são extraordinários. O Musée Dart Contemporain de Lyon, projetado por Renzo Piano, é modular
com um sistema de passagens móveis. O Musée de la Musique de Paris é projeto de Christian de Portzamparc, com interior de Frank Hammoutne. O choque entre as duas concepções arquitetônicas termina em um conceito harmônico, complementar, apesar de desigual.
O Musée dArt Moderne et Contemporain de Estrasburgo conecta-se com o velho bairro onde está instalado por meio de estruturas de vidro. O charmoso Museu de Grenoble, que ocupa o centro de um parque público (estrategicamente transformado em jardim de esculturas), foi montado num único nível, às margens do Isre.
Entre os novos museus mais visitados, está o Museu Nacional de História Natural de Paris. Lá, instalou-se o que se chama agora de Galeria de Evolução, que implicou a renovação e transformação da antiga galeria de zoologia num espaço hi-tech, que funde passado e futuro.

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