São Paulo, 29 (AE) - Alguns franceses mais exaltados chegam a falar em "retomada do orgulho nacional" com o filme. "Asterix e Obelix contra César", que estréia na quarta-feira em 600 cinemas europeus, se tornou de fato a grande esperança na retomada produtiva do cinema francês.
Dirigido por Claude Zidi, produzido por Claude Berri e com Gérard Depardieu como Obelix e Christian Clavier como Asterix, o filme tenta materializar o mais tenaz herói dos franceses, até então um herói de papel (e dá-lhe papel: empilhados, os exemplares de Asterix publicados desde 1959 são 7 mil vezes maiores que a Torre Eiffel).
Pelas amostras, os franceses conseguiram seu intento. Depardieu é a perfeita encarnação do gordo entregador de menires Obelix. O bardo Chatotorix não poderia parecer mais maçante com sua harpa. E até os romanos estão mais loucos do que nunca - pediram até o reforço de Roberto Begnini, que assume a persona do centurião Detritus. E a bardotiana atriz-modelo francesa Laetitia Casta é um bônus extra como a mulher de Tragicomix.
Tudo foi feito para que o símbolo da resistência francesa à ocupação estrangeira fosse retratado fielmente da maneira que sempre apareceu em bande dessinée (como os franceses chamam os quadrinhos). Gastaram 280 milhäes de francos no filme (cerca de US$ 50 milhäes), o que o torna a produção mais cara da história do cinema francês.
Tudo é superlativo em Asterix: a aldeia gaulesa foi recriada num estúdio de 4 mil metros quadrados, o maior da Europa. Cerca de 250 pessoas trabalharam no filme durante 5 mil horas. Nos estúdios Bavaria, de Munique, criaram o circo romano da produção, do qual participaram 1,5 mil figurantes e 500 cavalos.
Foram utilizados efeitos especiais em 200 das 1,5 mil cenas - que consumiram 25 milhäes de francos em simulaçäes por computador. Este mês, começou a investida de marketing do filme, que vai colocar no mercado centenas de produtos derivados do filme.
"Eu gosto da idéia de trazer personagens de cartum à vida", informou Depardieu à revista Figaro. "E embora os americanos façam isso todo o tempo, sua cultura não é suficientemente humana para fazer funcionar", disse o ator, enfatizando uma espécie de guerra declarada do cinema francês ao americano.
Para Depardieu, Asterix é um "grande momento" na história dos franceses. Asterix tem sido uma metáfora da resistência da cultura francesa ao "invasor" americano, desde seu surgimento há quatro décadas na revista Pilote. Um dos grandes lances dessa resistência foi a sobrevivência do Parque Asterix à chegada da Eurodisney, megaconjunto de entretenimento que nunca conseguiu igualar os números da aldeia dos gauleses.
Entre os protagonistas do filme estão os alemães Hardy Krueger Jr. (Tragicomix), Gottfried John (como um espantoso Júlio César) e Marianne Saegebrecht (de Bagdá Café, como Gutemina, a mulher do Chefe Abracourcix). Os produtores do filme esperam que mais de 5 milhäes de espectadores vejam Asterix. Caso contrário, o filme será um fracasso financeiro.

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