Fragmentos garimpados
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Uma nova obra póstuma da poeta carioca Ana Cristina César pula da gaveta hoje, exatamente no dia que marca a passagem de 25 anos de seu suicídio. O volume, intitulado ''Antigos e Soltos'', chega aos leitores em lançamento do Instituto Moreira Salles.
Organizado pela professora e pesquisadora da USP, Viviana Bosi, traz diversos textos inéditos editados ao lado da reprodução de seus fac-símiles. Uma das surpresas é um provável projeto de um livro de ficção, anunciado numa série de esboços narrativos experimentais que se diferenciam do restante de sua obra.
Todo o material compilado foi garimpado de uma ''pasta rosa'', descoberta pela mãe da poeta em meados da década de 80 e posteriormente doada para o Instituto Moreira Salles. A pasta trazia textos desde os tempos de colegial até seus últimos dias de vida incluindo cartas, bilhetes, diários, frases soltas, relatos de viagens, desenhos, poemas e prosa curta.
Viviana selecionou apenas o que vinha dotado de pretensão literário, limando tudo o que registrava nomes de pessoas reais. A obra de 480 páginas chega às prateleiras simultaneamente ao livro ''Ana C.: as tramas da Consagração'', publicado pela editora 7Letras e no qual a ensaísta Luciana di Leone analisa os vários motivos que transformaram a poeta em mito literário.
Cultuada pelas novas gerações, Ana Cristina César surgiu entre os ''poetas marginais'' da década de 70, mas teve sua obra difundida em grande escala com o lançamento do livro ''A Teus Pés'', em 1982, pela editora Brasiliense. Sua poesia confessional refinada obrigou a crítica a fazer uma revisão daquela vertente mostrando que havia alguém acima da média na patota, que adotava o rigor em vez da displicência no tratamento dos versos. Um ano após a publicação do livro, Ana chocou amigos, parentes e o meio literário ao se jogar da janela do apartamento onde morava no Rio de Janeiro.


