Fragmento do conto ''Bárbara'' que integra o livro ''O Pirotécnico Zacarias'' de Murilo Rubião
Definhava-lhe o corpo, enquanto lhe crescia assustadoramente o ventre. Desconfiado de que a ausência de pedidos de minha mulher poderia favorecer o aparecimento de uma nova espécie de fenômeno, apavorei-me. O médico me tranquilizou. Aquela barriga imensa prenunciava um filho.
Ingênuas esperanças fizeram-se acreditar que o nascimento da criança eliminasse de vez as estranhas manias de Bárbara. E suspeitando que a sua magreza e palidez fossem prenúncio de grave moléstia, tive medo de que, adoecendo, lhe morresse o filho do ventre. Antes de tal acontecesse, lhe implorei que pedisse algo.
Pediu o oceano.
Não fiz nenhuma objeção e embarquei no mesmo dia, iniciando uma longa viagem ao litoral. Mas, frente ao mar, atemorizei-me com seu tamanho. Tive receio de que minha esposa viesse a engordar em proporção ao pedido, e lhe trouxe somente uma pequena garrafa contendo água do oceano.
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