Ao entrar no quarto, só de japonesa, o lenço sempre na boca, disse: ''Só não pode se balançar muito que hoje arranquei três dentes''. Aí o menino sentiu uma pena muito grande de Ana Frágua, viu como ela estava sofrendo e assim mesmo se dispunha a fazer dele um homem. Foi tanta bondade que viu nos olhos dela que teve coragem de dizer: ''É a minha primeira vez''. Ana Frágua deu um riso de boca fechada e olhos murchos. Aproximou-se, o lenço sempre na boca, e sentou-se ao lado dele com muita delicadeza. Com a mão no lenço, abaixou-lhe o calção de pano grosso com toda a tranquilidade e elogiou as partes. ''Ah, se eu não tivesse arrancado três dentes...'', lamentou, rindo puxado. O menino entendeu tudo e sentiu-se mais teso ainda. Era o que ele mais esperava, todos os homens falavam que não tinha coisa melhor, mas com três dentes arrancados ia ser impossível. Aí Ana Frágua puxou uma gaveta na mesinha e tirou um envelope que o fez ficar gelado. Quis botar uma camisinha nele, mas ele não deixou. Tinha medo de murchar, os amigos alertavam. Ana Frágua não insistiu. Antes de deitar, ela atochou dois dedos no pote grande de creme, se untou entre as pernas e foi se derreando com muito cuidado, a cabeça imóvel. Puxou-o pra cima dela e o conduziu pela primeira vez por caminhos escuros, mas ele nunca viu tanta claridade na escuridão.

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