Fragmento do conto A Tempestade, que integra o livro Anedotas do Destino, de Karen Blixen
Mas por que, perguntou, as coisas precisam ser assim?. Por que as coisas conosco precisam ser tão desastrosas, Herr Soerensen? disse ela.
Herr Soerensen estava poderosamente exaltado e inspirado após as últimas palavras de Próspero; teve consciência de que devia lhe responder com sua experiência de uma vida longa, e disse:
Ai, menina, silêncio! Não devemos nos entregar ao questionamento... é aos outros que cabe nos questionar... é nosso nobre privilégio responder... ó respostas belas e claras, ó respostas maravilhosas!... às dúvidas da humanidade... dividida e complexa. E a nós, jamais cabe perguntar.
Certo, disse Malli depois de um minuto ou dois. E o que ganhamos com isso?. Qual é nossa compensação?
Herr Soerensen repassou a conversa dos dois, então repassou ainda mais coisas, por aquela longa vida com base na qual deveria lhe responder.
Em compensação? Ai de nós, minha pequena Malli, com uma voz completamente alterada, e dessa vez não se percebeu de que continuava a falar em sua dileta língua secreta: Em compensação ganhamos a desconfiança do mundo... e nossa pavorosa solidão. Mais nada.
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