Fragmento do conto ''A Serva Alheia''
Nesse período, a conduta de cada um deles é típica: a de Urbina ilustra a áspera imaturidade do homem; a de Flora, a sabedoria da mulher. O homem é um deserdado que deve aprender tudo; para questões sentimentais, aos vinte e quatro anos tem seis ou oito anos de idade. Na mulher operam quase intactos os defeitos e virtudes do instinto; cada uma herda a experiência acumulada desde a origem do mundo. Flora soube, quando olhou para Urbina pela primeira vez, naquela manhã no Tigre, o que queria, e agiu de acordo com isso; daí não se deve deduzir que fosse uma mulher inescrupulosa; Urbina me disse que não conheceu nenhuma pessoa em quem a pureza e a retidão fossem tão autênticas. Acrescentou: ''Eu era, diante dela, como um menino; como um menino que, por não estar formado, pode ser impuro ou indecoroso. Para distinguir o bem do mal eu precisava olhar para ela''.
(Fragmento do conto ''A Serva Alheia'', que integra ''Histórias Fantásticas'' de Adolfo Bioy Casares)





