''Você é igual a um bicho-pau Michael, cuja única defesa contra um universo de predadores é a sua forma estranha. Você é como um bicho-pau que pousou, sabe Deus como, no meio de uma grande pátio nu de concreto. Levanta devagar as perninhas frágeis de palito uma de cada vez, olhando em volta, procurando alguma coisa onde se disfarçar, e não há nada. Por que saiu do mato, Michael? Lá é o seu lugar. Devia ter ficado a vida inteira pendurado numa moita igual às outras num campo tranquilo de um jardim obscuro em um subúrbio sossegado, fazendo tudo o que faz um inseto desse para manter a vida, mascando uma folha aqui outra ali, comento um ou outro pulgão, bebendo orvalho. E se me permite falar de assuntos pessoais, devia ter se livrado ainda pequeno dessa sua mãe, que parece um matadora de verdade. Devia ter achado para você uma outra moita o mais longe possível dela para embarcar numa vida independente. Você cometeu um grande erro, Michael, quando amarrou sua mãe nas costas e fugiu da cidade incendiada para a segurança do campo. Porque quando penso em você carregando sua mãe, ofegando com seu peso, sufocado com a fumaça, desviando das balas, realizando todos os outros feitos de piedade filial que sem dúvida realizou, penso também nela sentada em cima dos seus ombros, comendo seu cérebro, olhando em torno triunfante, a própria encarnação da Mãe Morte.''

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