''Um conselho: se algum dia você precisar seguir alguém em meu bairro, não use roupa cor-de-rosa.
No dia em que Angie e eu notamos o sujeito gordinho que vinha na nossa cola, ele estava de camisa cor-de-rosa sob um terno cinza e um sobretudo preto. O paletó era transpassado, italiano, uma centena de dólares acima do padrão local. O sobretudo era de caxemira. Imagino que as pessoas do meu bairro possam comprar roupas de caxemira, mas em geral elas gastam tanto dinheiro em fita adesiva para manter o cano do escapamento de seus Chevys 82 no lugar que não sobra dinheiro para nada além daquelas viagens a Aruba.
No segundo dia, o sujeito gordinho trocou a camisa cor-de-rosa por um branco mais discreto, deixou de lado a caxemira e o terno italiano, mas com aquele chapéu ele dava mais na vista do que o Michael Jakson numa creche. As pessoas do meu bairro e, que eu saiba, de todos os bairros da região central de Boston só usam bonés de beisebol ou, raramente, um boné de tweed. E nosso amigo Nó-Cego, como passamos a chamá-lo, estava com um chapéu-coco.''
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