''Amor?'', falei. ''Isso não é amor. Não sei o que há entre os dois, mas não se trata de amor. Compartilham uma patologia.
''Isso é amor'', Eduardo disse.
''Mais parece malária.''
''O amor é sempre confusão'', ele rebateu.
Conversa fiada romântica de botequim, como se viver em sintonia vigorosa e plena de diálogo com outro ser humano fosse algo inferior a um círculo vicioso previsível de brigas e reconciliações, envolvendo atirar bebida na cara do outro, quebrar louça, rasgar lençóis, pisar nos quadros, pôr pessoas para fora de casa no meio da noite e trancar a porta acordando o prédio inteiro, além da violência física - lágrimas e gritaria -, e depois pedidos de desculpas soluçados e sexo para selar a reconciliação; além dos atos tresloucados no meio da noite que terminam em tragédia. Isso não é amor, insisti, é destempero emocional; só um idiota para achar que se trata de amor. Obviamente Eduardo era um idiota.

mockup