Fragmento de ''Por que a criança cozinha na polenta'', de Aglaja Veteranyi
''Nunca vou me pendurar pelos cabelos, não quero.
Arranco meus cabelos aos chumaços, como as penas da galinha da sopa.
Uma mulher sem cabelos não encontra marido, diz minha mãe.
Não quero marido, prefiro ser como minha irmã, que é corajosa e sempre cria problema.
Minha irmã é filha só do meu pai.
Ela come tudo porque minha mãe lhe salvou a vida quando ela estava raquítica e cheia de piolhos.
Apesar dela ser uma estranha, amo-a como irmã. A mãe dela é filha adotiva do meu pai. A filha adotiva e a mãe dela, a avó da minha irmã e a ex-mulher do meu pai, moram num hospital, porque ficaram loucas.
Minha irmã também é louca, diz minha mãe, porque meu pai a ama como mulher. Eu tenho que tomar cuidado para não ficar louca também, por isso minha mãe me leva junto para toda parte.
Minha irmã sabe tudo melhor que eu. Apesar de ser só alguns anos mais velha, ela já tem um joelho machucado. Meu pai atropelou a sua perna com um trator, para que ela nunca encontre um marido e fique sempre com ele.''





