Fragmento

- Sim - começou Bazárov - , o homem é uma criatura estranha. Quando observamos, de fora e de longe, a vida rústica que os 'pais' levam aqui: o que pode haver de melhor? Comer, beber e saber que vivemos da maneira mais justa e razoável. Mas, não: o tédio vence. Vem a vontade de se relacionar com as pessoas, ainda que para insultá-las, mas mesmo assim relacionar-se com elas.
- É preciso construir nossa vida de modo que cada momento seja significativo - declarou Arkádi, pensativo.
- Perfeito! O que é significativo tem um gosto doce, mesmo quando é falso, mas também é possível resignar-se ao que não tem significado... porém as brigas por mesquinharias... isso é sim uma desgraça.
- Não existem brigas por mesquinharias para o homem que não quiser dar importância a elas.
- Hum... isso que você disse é um lugar-comum invertido.
- Como?
- É o seguinte: dizer, por exemplo, que instrução é útil, isto é um lugar-comum; mas dizer que a instrução é perniciosa constitui um lugar-comum invertido. Parece mais sofisticado, mas no fundo é a mesma coisa.
- E a verdade, então, onde está, de que lado?
- Onde? Respondo como o eco: onde?

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