''Para Machado de Assis (ou para Brás Cubas) a vida após a morte é o lugar perfeito para a auto-reflexão, porque lá estaremos sozinhos, sem testemunhas. Ao contrário dos abarrotados paraísos e infernos de Dante ou Milton, os de Machado são como o espaço intelectual criado por um leitor e um livro: completamente privados. Para Brás Cubas, a vida é permeada pela vergonha e pelo ''vício hediondo'' da hipocrisia, desgraças causadas pela presença dos outros. ''Mas, na morte, que diferença! que desabafo! que liberdade! Porque, em suma, já não há vizinhos, nem amigos, nem inimigos, nem conhecidos, em estranhos, não há platéia''. Brás Cubas precisa contar do além-túmulo a sua história para deixar um sinal de sua passagem, que ele sente ter sido, como a de todos os outros homens, conduzida num espaço lotado, sob o olhar indiferente dos companheiros de viagem.
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