''Saí, fechando a porta, ouvindo os tiques-taques todos. Olhei para trás, para a vitrine. Havia uns doze relógios na vitrine, marcando doze horas diferentes, cada um deles com a mesma convicção determinada e contraditória que o meu manifestava, mesmo sem ponteiros. Um contradizendo o outro. Eu ouvia o meu, ainda a tiquetaquear no meu bolso, muito embora ninguém o visse, muito embora se o vissem ele não pudesse dizer nada a ninguém.
E assim eu disse a mim mesmo para escolher aquele. Porque o pai disse que os relógios matam o tempo. Ele disse o tempo morre sempre que é medido em estalidos por pequenas engrenagens; é só quando o relógio pára que o tempo vive. Os ponteiros estavam estendidos, desviando-se um pouco da horizontal, formando um leve ângulo, como uma gaivota planando no vento. Contendo tudo aquilo que eu antes lamentava, tal como a lua nova contém água, segundo os negros.''

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