Lá dentro, o teatro exala aquele potencial revolucionário que têm todos os parques de diversão e parques temáticos: a criançada se percebe no comando, os adultos descobrem sua mera funcionalidade. Os pais adquirem uma expressão perturbada, atônita, e seguem os filhos como bichinhos meio parvos, arrebanhando aquilo que foi deixado para trás ou derrubado por perto. Os pais estão calados. Os meninos participam de uma conversa de quatro mil pessoas. Que ressoa pelo anfiteatro, circula com o eco e desce num rugido; Li-Jin, no meio deles, procura os lugares com os três desparelhados pendurados atrás de si como se fossem aquele seu cachecol de cores berrantes dos tempos de faculdade.
É uma luta, mas Li-Jin por fim consegue se acomodar e sossegar seus garotos. Olha para o palco, para o tristonho quadrado vazio onde o espaço puro está detido e amarrado uma, duas três vezes pelas cordas. Sente-se como alguém que não exala há meia hora. Está prestes a fazê-lo quando o gordo ao lado se vira e, sem que tenha sido incentivado, sacode uma nota de dez libras diante de sua cara e ruge: ''Que tal uma fezinha?''
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