Fragmento de O Abate de um Elefante
Observavam-me como observariam um feiticeiro prestes a fazer algum truque. Não gostavam de mim, mas com o fuzil mágico nas mãos eu merecia por um instante ser observado. E de repente me dei conta de que deveria afinal abater o elefante. Esperavam isso de mim, e teria de fazê-lo; podia sentir as duas mil vontades me apressando de forma irresistível. E foi naquele momento, parado com o fuzil nas mãos, que compreendi pela primeira vez o vazio, a futilidade do domínio dos brancos no Oriente. Ali estava eu, o branco com uma arma de fogo, diante de uma multidão de nativos desarmados aparentemente o ator principal da cena, mas na realidade apenas um fantoche absurdo empurrado de um lado para outro pela vontade daqueles rostos amarelos atrás de mim.
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