''O senhor vai viver muitos anos, Farewell. E Farewell: de que serve a vida, para que servem os livros, são apenas sombras. E eu: como essas sombras o senhor estava contemplando? E Farewell: justamente. E eu: Platão tem um livro muito interessante sobre o assunto. E Farewell: não seja idiota. E eu: que lhe dizem essas sombras, Farewell? Conte-me. E Farewell: falam da multiplicidade das leituras. E eu: múltiplas mas bem miseráveis, bem medíocres. E Farewell: não sei do que está falando. E eu: dos cegos, Farewell, dos tropeções dos cegos, das suas escaramuças vãs, das suas colisões e topadas, dos seus tropicões e tombos, do seu alquebramento geral. E Farewell: não sei do que está falando, o que acontece, nunca tinha visto o senhor assim. E eu: fico contente por me dizer isso. E Farewell: já não sei o que estou lhe dizendo, quero falar, quero dizer, mas só sai espuma. E eu: o senhor distingue algo precioso nas sombras chinesas? Distingue cenas claras, o redemoinho da história, um eclipse enlouquecido? E Farewell: distingo um quadro campestre. E eu: algo como um grupo de camponeses que rezam, vão embora e voltam, rezam e vão embora? E Farewell: distingo putas que se detêm por uma fração de segundo para contemplar algo importante, depois vão embora como meteoritos''.

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