Estava escuro. Mas quanto mais eu deslocava a chapa, mais clareava. As paredes eram de terra, cavadas a golpes de pá. As raízes do carvalho tinham sido cortadas.
Consegui empurrar mais um pouco. O buraco era largo uns dois metros e profundo uns dois metros, dois metros e meio.
Estava vazio.
Não, havia alguma coisa.
Um montão de trapos enrolados?
Não...
Um animal? Um cachorro? Não...
O que era?
Não tinha pêlos...
branco...
uma perna...
Uma perna!
Dei um salto para trás e por pouco não tropecei.
Uma perna?
Tomei fôlego e encarei um instante.
Era uma perna.
Senti as orelhas fervendo, a cabeça e os braços pesando.
Estava para desmaiar.
Sentei-me, fechei os olhos, apoiei a testa na mão, respirei. Estava tentado a fugir, a correr para os outros. Mas não podia. Antes tinha de olhar mais uma vez.
Aproximei-me e coloquei a cabeça para a frente.
Era a perna de um menino. E um cotovelo despontava dos trapos.
No fundo daquele buraco tinha um menino.
Estava deitado de lado. A cabeça escondida entre as pernas.
Não se mexia.
Estava morto.
Talvez estivesse dormindo.

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