A primeira coisa que meu pai me ensinou foi que eu era invisível. E a segunda foi que eu não valia nada. E que nada tinha importância. Ensinou isso do jeito dele, sem falar palavra, só com os olhos, enquanto tudo apodrecia a nossa volta. Um saco de vermes. Aprendi logo. Quando entro em qualquer lugar, se vejo muita gente, fico fermentando dentro de mim: sou o pior. E vou saindo. Nem entro, às vezes. Máiquel, vem cá, as pessoas dizem. Não vou. Escapo. Me escondo. Engraçado, as coisas que a gente pensa na estrada. Os elos. Você pensa nisso porque pensa naquilo. Eu sou invisível. Ninguém me vê. Isso foi ruim durante muito tempo. Hoje é bom.
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