Fragmento de 'Minhas Histórias dos Outros' de Zuenir Ventura
O ''caso Pedro Nava'' encerra uma das questões éticas mais complexas do jornalismo: os limites entre aquilo que é público e cujo conhecimento é um direito de todos e um dever do jornalismo divulgar e o que, por pertencer à esfera privada, deve ser mantida como tal. Nava era um homem público que escolheu uma via pública para praticar um gesto que, ele sabia, teria repercussão, chegaria à imprensa e seria investigado em suas causas e motivações. O ato final de sua tragédia foi exposto como um espetáculo de rua.
Olhando de uma distância de vinte anos, acredito que tínhamos muitas razões ou álibis para não publicar a versão integral do suicídio de Nava: uma fonte não confiável, falta de elementos comprobatórios da chantagem. Mas acho que pode ter pesado muito na nossa decisão o moralismo da época e o ''preconceito social'', além do individual de cada um de nós. Hoje, acho que os jornais e revistas teriam publicado mais do que publicamos, embora se deva admitir que ainda cultivem uma boa dose de tabus e interditos morais.
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