Fragmento:

Quando chegava o pagamento, era uma festa. Ia ao cinema, comia melhor e bebia cerveja nos cabarés. Não demorou a aproximar-se de algumas prostitutas, às quais, vencendo a timidez, contava histórias tiradas da literatura e resumia o enredo de romances famosos. Uma delas, impressionada com as narrativas que ouvia, perguntou se ele não poderia escrever uma carta em seu nome para o gigolô que a havia abandonado. Ele escreveu. Passados alguns dias, deparou-se com a moça numa esquina.
Obrigada, obrigada!, ela gritou. Meu homem voltou graças a você.
Fez questão de lhe pagar pelo serviço. Em dinheiro. Marcos, com certo constrangimento, aceitou. Além de remunerá-lo, ela espalhou a notícia pela Lapa. ''Daí, outras fizeram o mesmo pedido, o que me obrigou a profissionalizar-me'', contaria anos depois. ''Claro que não pensava em criar um sindicato de redatores de cartas prostitucionais, mas isso ajudou a manter-me no Rio e a comprar muitos livros''.

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