A idéia de uma estrutura simples e resistente como o bambu para servir de mastro era tentadora. Sem cabos caros e pecinhas complicadas, mastros autoportantes não são idéias novas. Canoas, jangadas e outros barcos regionais usam há séculos, mas em veleiros eu não havia encontrado nada que inspirasse verdadeira confiança. (...) Conseguimos desenhar, para os mecanismos vitais do futuro casco, uma longa lista de idéias simples e impecáveis. Os mastros, no entanto, seguiam a velha receita que todos os barcos usavam. Claro, com tecnologias novas e mirabolantes, mas no fundo era o mesmo velho e complicado conceito de um punhado de cabos segurando um poste. Eu não parava de pensar na genialidade das jangadas cearenses de piúba, infelizmente já extintas. Duvido que um engenheiro da NASA, usando os mesmos materiais, sem usar uma única peça de metal, lograsse construir um barco para orçar, como aquelas jangadas, até quarenta graus de contravento. Sem usar leme, que elas de fato não têm, ou metal, nem na âncora. Imensos mastros de pedaços de gororoba emendados com linha e mais resistentes que um moderno de fibra. Estranho mesmo esse mundo das modernidades tecnológicas, onde se emburrece tão rapidamente. Onde tão rapidamente se perde a sabedoria simples.
()

mockup