Em várias ocasiões, pediram a Duchamp que esclarecesse seu conceito de ''eco estético'', que havia deixado as pessoas curiosas. Obras de arte não podiam ser entendidas pelo intelecto, conforme sustentou, nem o efeito delas podia ser transmitido por palavras. A única abordagem válida seria por meio a uma emoção que guardava ''certa analogia com a fé religiosa ou a atração sexual um eco estético''. Esse eco, entretanto, era ouvido e apreciado somente por um número reduzido de pessoas. Ele não pode ser aprendido ou você possui ou não o possui , e ele nada tem a ver com o gosto, que é meramente a repetição de uma opinião estabelecida. ''O gosto transmite uma impressão sensorial, não uma emoção estética'', disse Duchamp. O gosto pressupõe um espectador tirânico que dita o que ele gosta e desgosta e o traduz em bonito e feio, ''ao passo que a vítima de um eco estético está numa posição comparável à de um homem apaixonado ou de um crente. Quando tocado pela revelação estética, esse homem, num clima de êxtase, torna-se receptivo e humilde''.

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