‘‘Na época, Flora havia topado com algumas estatísticas que calculavam quantas pessoas no mundo nasciam e morriam a cada segundo do dia. Os números eram assombrosos, mas Flora sempre fora muito boa em matemática e rapidamente extrapolou os totais para grupos de dez: dez nascimentos a cada quarenta e um, dez mortos a cada cinqüenta e oito segundos. Esta é a grande verdade sobre o mundo, ela tinha dito ao pai café-da-manhã, e, para poder compartilhar de sua profundidade, decidira passar o dia sentada na cadeira de balanço do quarto gritando ‘‘alegrai-vos’’ a cada quarenta e um segundos e ‘‘chorai’’ a cada cinqüenta e oito segundos para marcar o falecimento de dez almas e comemorar a chegada de dez recém-nascidos. O coração de Harry já se havia partido inúmeras vezes, mas nessa última estava reduzido a um monte de cinzas tapando um buraco no peito. No seu último dia de liberdade, passou doze horas sentado na beira da cama da filha, vendo-a balançar o corpo para frente e para trás na cadeira e gritar, alternadamente, ‘‘alegrai-vos’’ e ‘‘chorai’’, sempre muito atenta ao arco desenhado pelos ponteiros dos minutos no relógio da cabeceira.’’
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