''Queremos pensar a arte de ganhar dinheiro'', disse ela.
Estava sentada no banco de trás, o dele, a poltrona, ele olhava para ela e esperava.
''Em grego isso tem nome.''
Ele esperava.
''Chrimatistikós'', disse ela. ''Mas temos de dar à palavra uma certa margem. Adaptá-la à atual situação. Porque o dinheiro sofreu uma mudança. Toda riqueza virou seu próprio objeto. Toda riqueza enorme agora é assim. O dinheiro perdeu sua qualidade narrativa, tal como aconteceu com a pintura antes. O dinheiro agora fala sozinho.'' (...)
''E a propriedade também, é claro. O conceito de propriedade está mudando a cada dia, a cada hora. As fortunas que as pessoas gastam em terras, casas, iates, aviões. Isso não tem nada a ver com as tradicionais formas de auto-afirmação, pois é. Propriedade não tem mais nenhuma ligação com poder, personalidade e autoridade. Nem com exibicionismo, vulgar ou de bom gosto. Porque não tem mais peso nem forma. A única coisa que importa é o preço que se paga. Você mesmo, Eric, pense só. O que é que você comprou por cento e quatro milhões de dólares? Não foram dezenas de cômodos, vistas incomparáveis, elevadores privados. Nem o quarto rotativo nem a cama computadorizada. Nem a piscina nem o tubarão. O espaço aéreo? Os sensores de controle e o software? Não, nem os espelhos que dizem como você se sente quando se olha neles de manhã. Você gastou esse dinheiro pelo próprio número em si. Cento e quatro milhões. Foi isso que você comprou. E valeu a pena. O número se justifica por si só.''

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