‘‘Pensei também nas acusações que Ranulfo me fizera: o egoísmo, a falta de atenção com meu amigo, o trabalho presunçoso, a cegueira profissional. Talvez fossem acusações de um homem enlutado e desesperado, que perdera a grande aposta de sua vida bem antes do fim. De nada adiantava dizer a ele que Mundo sempre fora arredio, ainda que tivesse me contado episódios da infância, expressando a angústia de ter de enfrentar o pai, dentro e fora de casa, como se esse enfrentamento fosse o móvel de sua vida e de sua arte inacabada. Mundo sabia que dificilmente eu sairia de Manaus; nas cartas de lhe enviei, insisti nesse assunto, dizendo que minha cidade era minha sina, que eu tinha medo e ir embora, e mais forte que o medo era o desejo de ficar, ilhado, enredado na rotina de um trabalho sem ambição’’
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