Fragmento de ''Boêmios'' de Dan Franck
Num primeiro tempo, o espetáculo de Tzara se desenrola sem problemas. Mas, depois da parte musical, um jovem dadaísta, Pierre Massot, sobe no palco e começa a ler um texto condenando, como ''mortos no campo da honra'', Gide, Picabia, Duchamp e Picasso... Picasso está assistindo ao espetáculo. Breton também. Tomando a defesa do pintor, ele sobe no palco. Desnos e Péret juntam-se a ele. Imobilizam o orador. Breton ergue a bengala e desce-a no braço dele. Há fratura. A sala vaia os agressores e se volta conta Breton. Tzara, que observa de longe, chama a polícia. Breton, Desnos e Péret são expulsos. Calma retorna. Mas não por muito tempo. Mal a peça de Tzara começa, um jovem alto, loiro e distinto, com um olhar quase sonhador, levanta-se e interpela o autor, exigindo uma explicação: por que ele mandou expulsar Breton?
Mas os policiais ainda estão no recinto. Precipitam-se sobre Paul Eluard, que é imediatamente cercado pelos amigos e protetores. Poetas e policiais travam uma briga. É quando Tzara aparece no palco. No mesmo instante, mudando de alvo, Eluard se joga sobre ele e o esbofeteia. Depois é Crevel, que estava chegando. Logo a briga se estende do público aos maquinistas, e prossegue do lado de fora.





