Miles nunca pede a uma platéia que fique quieta, como já vi alguns músicos de jazz fazerem. Na realidade ele nunca fala com a platéia, nunca lhe dirige a palavra. Uma vez perguntei a ele: ''Por que não anunciar um número? Por que não se curvar ao final de um número? Por que não anunciar os nomes dos músicos de sua banda, para que saibam que você é Miles Davis? Eles não o conhecem, alguns nunca o viram antes.''
Ele olhou para mim com um olhar intrigado, desconfiado, como se eu tivesse maluco. ''Eu sou músico, não sou comediante. Se você quiser um falastrão em sua casa, não me contrate. Eu não sorrio, eu não me curvo agradecendo. Eu dou as costas. Por que você escuta as pessoas? O branco sempre quer que você sorria, sempre quer que o negro se curve. Eu não sorrio, eu não me curvo. Está bem? Estou aqui para tocar música. Eu sou músico.''
Depois de um discurso como desses, percebi que deveria deixar Miles em paz, e foi o que fiz.
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