Fragmento de ''Adorável Criatura Frankenstein'', de Ademir Assunção
''Cinco ou seis meninas, pensando que podiam entreter os marcianos e fazê-los parar com aquele ataque despropositado, rebolavam e cantavam 'bom-chi-bom-bom-bom-bom' em um dos cantos do jardim.
Foram alvejadas na cabeça e desintegraram. Não sobrou nada, nem um pentelhinho para contar história. Essas não ressuscitariam mais. Uma pena. Eram cantoras iniciantes, mas tinham uma carreira promissora pela frente. Ganhariam milhões de reais e doariam R$ 100 por ano para uma creche de crianças pobres.
O pau comia solto. Uma carnificina digna de filmes de Rambo.
Eu ainda não me dera conta de quem estava ao meu lado, entrincheirado atrás da mesma mesa. Quando caiu a ficha, esfregou os olhos, piscou, piscou de novo e de novo, beliscou o braço: Meus Deus, é o Pateta. O grande, o único, o insubstituível Pateta, herói da minha infância.
Mesmo diante do belicismo bárbaro dos marcianos Eu não conseguiu conter a expressão de espanto:
Quer dizer que o Pateta existe mesmo? Pensava que você era apenas um personagem de ficção.
Eu pensava o mesmo de você, respondeu Pateta.
Por essa resposta Eu não esperava. Não esperava mesmo. Também não esperava pelo facho de raio laser que entrou por um ouvido, fez um incrivelmente rápido zigue-zague por todo o seu aparelho auditivo e saiu pelo outro ouvido.''





