Fragmento de ''A Ponte da Ilha do Sapo'', de Carl Hiaasen
''Stoat levantou depois do meio-dia com uma dor de cabeça terrível. Enterrou a cabeça no travesseiro outra vez e pensou na prostituta volúvel do Swain's. Conhecer alguém com ideais políticos genuínos era uma raridade na profissão de Stoat; como lobista, havia muito concluíra que não havia diferença no modo como os democratas e republicanos conduziam assuntos governamentais. O jogo era sempre o mesmo: tudo se resumia a favores a amigos, e dependia de quem controlava a grana. As definições partidárias não passavam de um modo de acompanhar a trajetória dos grupos; as propostas eram cortina de fumaça ou palhaçadas. Ninguém acreditava em nada, só em permanecer no poder a qualquer preço. Por isso, na época de eleições, Palmer Stoat sempre aconselhava seus clientes a cobrir todas as possibilidades, doando somas consideráveis aos diversos candidatos. A estratégia era tão pragmática quanto cínica. O próprio Stoat estava registrado como eleitor, mas não pisava numa cabine de votação havia catorze anos. Não levava a história a sério; sabia demais.''





