Fragmento:
O macho não acerta mais nem o caminho do matagal para buscar a lenha dos seus assados e cozidos. À mesa, então, vê-se como uma triste figura que sucumbiu a qualquer novidadismo, qualquer molhinho de frutas exóticas e tropicais, às vezes a pretexto de uma cozinha brasileira totalmente ''fake''.
Daí o presente libelo. Pela cozinha punk, três acordes: arroz, feijão e bife.
Senhores mestres-cucas, senhores(as) chefs metidos(as), por favor, devolvam meu arroz com feijão, tenho pressa, posso?
Devolvam meu arroz com feijão e fiquem com seus molhos cítricos, tâmaras, figos, berinjelas, lichias...
Arroz, feijão e um bife por cima, a mistura possível. No máximo admitimos aquele ovo estrelado para coroar o belo prato, como nos dita a memória afetiva e materna.
(Fragmento da crônica ''Manifesto Pela Cozinha Punk'', que integra ''Chabadabadá'' de Xico Sá)





