FRAGMENTO
Basílio e o amigo visconde Reinaldo conversam sobre Luísa, ex-amante de Basílio, que tinha morrido recentemente:
O Visconde de Reinaldo, delicado, lamentava a pobre senhora, coitada, que se tinha deixado morrer por um tempo tão lindo! - Mas em resumo, sempre achara aquela ligação absurda...
Porque enfim fossem franco: que tinha ela? Não queria dizer mal da pobre senhora que estava naquele horror dos Prazeres, mas na verdade é que não era uma amante chique; andava em tipóias de praça; usava meias de tear; casara com um reles indivíduo de secretaria; vivia numa casinhola; não possuía relações decentes; jogava naturalmente o quino, e andava por casa de sapatos de ourelo; não tinha espírito, não tinha toilette... que diabo! Era um trambolho!
- Para um ou dous meses que eu estivesse em Lisboa... - resmungou Basílio com a cabeça baixa.
- Sim, pra isso talvez. Como higiene! - disse Reinaldo com desdém.
E continuaram calados devagar. Riram-se muito de um sujeito que passava governando atarantadamente dous cavalos pretos: - Que faéton! Que arreios! Que estilo! Só em Lisboa!...
Ao fundo do Aterro voltaram-se; e o Visconde Reinaldo passando os dedos pelas suíças:
- De modo que estás sem mulher...
Basílio teve um sorriso resignado. E, depois de um silêncio, dando um forte raspão no chão com a bengala:
- Que ferro! Podia ter trazido a Alphonsine!
E foram tomar Xerez à Taverna Inglesa.





