...''vivemos uma tal multiplicidade de ações artísticas e uma diversificação de propostas em arte, que tenta colocá-las sob um mesmo critério é algo que foge e trai, inclusive, a nossa própria formação de miscigenação étnica e variação cultural. Não é que o parâmetro seja não ter parâmetro. Mas sua riqueza é justamente o alargamento e a variação das possibilidades de se pensar a cultura, a arte, o cotidiano.
É essa a nossa contribuição mais pungente diante de um mundo cada vez menos rico em diferenças, mais achatado pelos padrões globalizados. Aqui, a tolerância à diversidade ainda que a um custo altíssimo para as camadas desprivilegiadas é exercida desde a constituição desse lugar chamado Brasil. A arte reflete isso: multiplicidade de estratégias, multiplicidade de materiais, multiplicidade de abordagens.
Quando alguns críticos tentam, enfim, cobrar por resultados práticos como a quantidade de visitação pública aos espaços destinados à arte (como se esta só se manifestasse lá), fica clara a incapacidade de lidar com essa nova diversidade cultural, porque não compreendem que a questão se desloca para a inserção de procedimentos e de atitudes diante do circuito. Querem discutir forma e função quando o que está em jogo é intensidade e fluxo.
É preciso saber desconfiar e questionar a qualidade do que é apresentado , sim. Não para encontrar justificativas e defesa tolas que só demonstram insegurança em abordar um assunto que não se compreende, mas para tornar o sentido da crítica cada vez mais claro diante da pluralidade que é a arte, hoje''.
A coluna Alfabeto Visual é publicada no caderno Folha2, às quartas-feiras

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