Curitiba - Fracassou o projeto do governo do Estado de integrar em rede as emissoras de televisão paranaenses. Desde setembro, o Canal Paraná, que funcionou pouco mais de um ano nos moldes do projeto inicial, deixou de ter a sua programação retransmitida para as cerca de 20 emissoras estaduais e está restrita a Curitiba e região metropolitana. Motivos técnicos, segundo justificativa da Secretaria de Cultura do Estado. Falta de pagamento segundo a Embratel, empresa que fornecia o equipamento necessário para a retransmissão dos programas.
O Canal Paraná estreou em maio do ano passado com o objetivo de ''privilegiar a produção local e a difusão da cultura'', conforme declarou o governador Jaime Lerner (PFL) em entrevistas na época. Para marcar a transformação da emissora estatal, foi produzido um programa especial sobre a história da televisão paranaense, transmitido diretamente do Palácio Iguaçu, com apresentação do jornalista Marcelo Tass, da TV Cultura, e presença do ministro da Cultura Francisco Weffort.
Cabia ao projeto, que vinha sendo elaborado desde 2000, promover a produção de programas que mostrassem a cultura local. Fontes ligadas à montagem do projeto Canal Paraná afirmam que foram investidas três parcelas de R$ 300 mil para capacitar as emissoras a receber os equipamentos necessários para a retransmissão. Quantia negada pela secretária da Cultura Monica Rischbieter, que disse que não foi preciso investir inicialmente. ''Para entrar em rede, o Canal Paraná precisava de R$ 70 mil por mês'', revelou.
Para a secretária, a saída da rede da emissora ''não causa um drama''. ''É uma boa oportunidadde de rever o funcionamento da rede'', argumenta. Para a secretária, é preciso rever o conceito do projeto, decisão que deve ficar para o próximo governo. ''Algumas emissoras do Canal Paraná não transmitiam os programas produzidos ao vivo, como os jornais, que são realizados em horário nobre'', exemplica.
Antiga TV Educativa, a emissora Canal Paraná é a cabeça da Rede Pública de Televisão do Estado e distribuía o sinal para 21 repetidoras. A previsão era acoplar mais 18 ainda este ano, projeto que naufragou com a falta de recursos e a recusa da Embratel de continuar fornecendo o serviço de graça. Entre as principais programações retransmitidas estava o telejornal diário, apresentado às 20 horas, além de 15 programas locais criados para preencher a grade de programação com produções regionais. Os programas chegaram a ter 12 pontos (mesmo pontuação da Rede Record) na audiência, conforme o instituto de pesquisa Ibope.
Para ampliação da rede, o Canal Paraná recebeu duas ilhas de edição digitais, uma ilha linear e quatro novas câmeras. A idéia era melhorar a qualidade da imagem para que as programações regionais fossem tão atrativas pelo menos no que diz respeito à qualidade de imagem quanto às nacionais. Mas até o próximo governo, quando deve ser decidido se o Canal Paraná continua funcionando com transmissão pela Embratel ou pela Copel proposta já cogitada pelo atual governo os espectadores paranaenses vão continuar tendo à disposição os programas de qualidade duvidosa que a TV aberta oferece atualmente.

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