Foz oferece muito mais que compras
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de outubro de 1998
Luciane Tonon 
A idéia de associar a ida para Foz do Iguaçu a compras no Paraguai não é mais a mesma de tempos atrás. Hoje, redes de hotéis e agências de viagens estão empenhados em divulgar e promover o potencial turístico da região. Esse trabalho vem sendo desenvolvido pela Associação Brasileira de Agências de Viagens-ABAV, pela Foztur e abraçada por grandes hotéis, como o Bourbon & Tower, por exemplo, o primeiro cinco estrelas (categoria lazer) do Sul do País.
A área Iguaçu é um pólo turístico internacional da tríplice fronteira, que envolve as cidades de Foz do Iguaçu, Hernandárias (Itaipu), Minga Guazu (aeroporto internacional) Presidente Franco (reserva e saltos) Puerto Iguazú (Argentina) e também, Cidade del Este (Paraguai), explicou o diretor regional da ABAV, Nelson Mariani.
Ele diz que justamente os turistas brasileiros não reconhecem esse complexo. O turista estrangeiro observa cada árvore, cada pássaro, já o brasileiro, salvo exceções, passa rapidamente pelas Cataratas e não vê a hora de chegar ao Paraguai. Porém, Nelson atribui isso mais ao fator econômico do que à questão cultural entre os brasileiros.
Para reverter este quadro, diversos projetos de divulgação e promoções estão arrolados. Segundo informações da Foztur - Órgão Oficial de Turismo de Foz, o município conta com 27 mil leitos, repartidos em 270 hotéis. É o segundo maior parque hoteleiro do Brasil. Capacidade de hospedagens temos, o que precisa é aumentar alternativas, opções e levar o próprio município a mudar a mentalidade para isso, disse o diretor da Foztur, Miguel Zydan Sória.
O Parque Nacional do Iguaçu é o primeiro a estar inovando suas alternativas de lazer. Segundo o presidente do parque Julio Gonchorosky, já está em andamento um projeto de revitalização da área. O parque tem 185 mil hectares mas só é explorado entre 2% a 5% do seu potencial. Justamente onde estão as Cataratas. Sendo que todo o parque é constituído do último remanescente subtropical e mata araucária. Nesta área temos o rio Floriano, que é o último rio puro (estado natural) do Sul do País, relatou Gonchorosky.
A idéia da administração do parque é envolver todos os municípios que fazem divisa com a área para a exploração turística, inclusive que os próprios caçadores tornem-se guias. Seja no turismo rural, parques municipais ou passeios direcionados, como por exemplo, exploração aquática da parte alta do rio Iguaçu. Tudo é claro muito bem administrado ecologicamente, acrescentou.
Ele cita o exemplo do Parque das Aves, um empreendimento de capital privado, com proposta inédita de aliar ecoturismo à conservação e educação ambiental, pesquisa científica e reprodução das aves ameaçadas de extinção. Uma iniciativa dos ingleses Dennis e Anna Croukamp. O parque está a 12 quilômetros do centro de Foz do Iguaçu e conta com mais de 600 aves de 160 espécies do Brasil e de outros continentes.
Outro exemplo, é que o Ibama já está ocupando 11 hectares do parque para a construção de um centro de visitação, através de transporte único (no caso ônibus elétrico). Este centro vai apresentar cinco opções de parada para o turista: trilha pública (museu do parque, centro de educação ambiental e usina São João); casa de hóspedes (trilha poço preto para observadores de aves e orquídeas, torre e trilha suspensa na altura das árvores); Macuco Safári (passeio de jipe e bote próximo às Cataratas); Alto do Rio Iguaçu (navegação e visita ao espaço Santos Dumont, torre, elevador e balão cativo); e trilha beirando o rio de cinco quilômetros.


