FOTOS RESGATAM OS ANTIGOS CARNAVAIS
Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
Houve um tempo de morcegos, pierrôs e colombinas. Essas personagens que ficaram no imaginário popular como símbolos da ingênua alegria carnavalesca, misturam-se aos foliões presentes nos registros fotográficos de Carnavais do Passado, exposição que abre hoje no hall da Biblioteca Pública do Paraná. As cenas são dos primeiros anos deste século; as mais recentes datam da década de 30. O material pertence ao acervo da Casa da Memória, da Fundação Cultural de Curitiba.
Por conta da nostalgia cria-se um tom romântico à festa momesca, que também nessa época excedia nas diversões. Nos dias de Carnaval quem saísse às ruas estava sujeito às águas, farinha de trigo, frutas, legumes, ovos, pó de mico. Nas guerras entre grupos seus integrantes lançavam mão de seringas, bisnagas, limões e laranjas de cera; às vezes até esguichos e baldes dágua para pegar os desprevenidos.
Mais tarde quando essa prática foi proibida pelas autoridades, deu espaço aí sim para uma brincadeira mais saudável. Mesmo o Carnaval tornou-se mais refinado: surgiram as fantasias mais elaboradas, os carros alegóricos, lança-perfume, confetes, serpentinas. Valsas, polcas e choros davam o tom aos bailes e só nos anos 40 foram substituídos pelo samba.
A rua XV de Novembro, a principal da cidade, transformava-se na passarela de Momo. Para ali convergiam ricos e pobres, atraídos pelos corsos (desfile de carros alegóricos) que eram aguardados por todos com ansiedade na pista os grã-finos, e nas calçadas o povo aplaudindo o espetáculo.
A princípio os carros alegóricos eram puxados por cavalos; depois vieram as carroças, misturadas aos automóveis abertos. Mulheres aboletadas nos veículos barulhentos compunham o toque sensual e gracioso do cortejo.
A procissão das máquinas saía da Praça Osório e terminava na Praça Santos Andrade. Nessas ocasiões era comum o aluguel das janelas dos casarões ao longo da rua, mas quando a prefeitura entrou em cena exigindo taxa especial dos proprietários dos imóveis, por volta dos anos 40, essa festa particularizada acabou.
De moda em moda, o Carnaval fez sua história. Ele serviu para a população criticar as autoridades através da sátira, nos salões a fina platéia comparecia em trajes obrigatórios envergando fantasia ou traje de gala. As pessoas que estivessem mascaradas tinham que se identificar na entrada do clube. À meia-noite vinham as revelações: caíam as máscaras e nessa hora romances eram iniciados ou desfeitos.
Carnavais do Passado, exposição fotográfica com diversos autores, na Biblioteca Pública do Paraná (Rua Cândido Lopes, 133). Visitação pública de segunda a sexta-feira, das 8 às 20 horas, sábados das 8 às 13 horas. Até dia 4 de março.Exposição de fotos na Biblioteca Pública do Paraná reúne cenas da festa de Momo no início do século
ReproduçãoTrajes de gala e fantasia: item obrigatório nos bailes dos salões mais finosJoão Baptista Groff / Casa da Memória / Fundação Cultural de CuritibaCorso nos dois sentidos da Rua XV de Novembro; desfile de carros no Carnaval de Curitiba no início do séculoFrederico Lange / Casa da Memória / Fundação Cultural de CuritibaInício do século 20: foliões invadem as ruas de Curitiba





