Fotos comprovam fatos
As fotografias ganham vulto no livro rivalizando em importância com o texto a ponto de ganhar um capítulo exclusivo ''Os fotógrafos e a importância da fotografia'' no qual resgata os profissionais e diletantes que empunharam câmeras ao longo da década de 30. Ele escreve que o inglês George Craig Smith, o primeiro fotógrafo amador de Londrina, contribuiu para a cidade ''perpetuar imagens que valem como uma espécie de certidão de nascimento'' ao clicar os desbravadores, as primeiras picadas, os primeiros ranchos de palmito, as primeiras bicas de água e as atividades de trabalho e lazer.
Ao lado de Smith, são lembrados nomes como Haruo Ohara e José Juliani, este o primeiro fotógrafo profissional da cidade. Boni, que também é fotógrafo, reuniu no livro 125 imagens algumas inéditas. Emprestou de variadas fontes, incluindo acervos particulares de pioneiros, que as retiraram de seus álbuns de família. O contato com os pioneiros, aliás, ampliou o projeto original do livro.
''Eles contaram causos, episódios peculiares que em tese não entrariam no livro'' explica Boni. ''Falaram de como se vestiam e se divertiam, além das privações e dificuldades que enfrentaram nos primórdios de Londrina. Quando comecei a editar o trabalho, senti um peso no coração e decidi abrir um capítulo novo para abrigar as informações colhidas sobre os costumes da época. Curiosamente, esse capítulo acabou se tornando o capítulo mais longo do livro''.
Boni lembra que uma das pioneiras entrevistadas o deixou intrigado quanto à veracidade do que dizia: ''Ela contou que naquela época as moças e rapazes ficavam à porta da igreja, aos domingos, observando os tipos que frequentavam a missa. Nessas ocasiões, segundo ela, o que mais chamava atenção era o fato de algumas pessoas irem com um pé calçado e outro descalço. O motivo, ainda segundo ela, era por puro status social: as pessoas iriam assim só para mostrar que tinham sapato. Na escola, também ocorria isso. Enquanto a ouvia, duvidei de sua palavra. Depois, confirmei seu depoimento através de fotografias, que publiquei no livro''.
Boni salienta que procurou fugir do ranço acadêmico para escrever a obra. ''A linguagem é jornalística. Não inseri notas de rodapé, não segui normas rígidas típicas de uma publicação de caráter universitário. Procurei ser simples e objetivo'' explica. O livro, avisa ele, faz parte de um projeto mais amplo ''A História de Londrina em Textos e Imagens'' que prevê a publicação em série de outros volumes organizados por décadas.
O volume inaugural sai da gráfica com uma tiragem de 1.000 exemplares. Metade será distribuída para escolas, bibliotecas e instituições de ensino superior. A outra metade será vendida em livrarias.(N.S.)





