Fotonovelas moderninhas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de dezembro de 2006
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
Em um tempo em que a imagem parece ter um apelo cada vez mais forte junto aos jovens, em detrimento do tempo investido na leitura, a associação de imagens com o texto na linguagem da fotonovela foi o recurso encontrado para estimular a leitura em alunos do 2º ano do Ensino Médio do Colégio Marcelino Champagnat. Como resultado, os alunos conseguiram adaptar para a linguagem moderna o clássico A Moreninha, romance que retrata o cotidiano da vida brasileira na época do Segundo Império, de Joaquim Manuel de Macedo (1820-1881), e a ficção Descanse em Paz, Meu Amor, de Pedro Bandeira considerado um dos autores de literatura juvenil mais vendidos no Brasil. As duas edições das fotonovelas, além de uma revista sobre o colégio e um jornal sobre os alunos atletas que competem pela instituição, envolveram 120 alunos. Trabalho pronto, o desafio agora é encontrar patrocinadores para a impressão final dos materiais.
A coordenadora do projeto, a professora de Português e Literatura, Elizabete Scaramal Camargo, disse que o objetivo foi criar um trabalho diferenciado para envolver e atrair os alunos. Acredito que o professor precisa tornar o ambiente escolar mais atrativo para que o aluno sinta prazer em estar na escola. Esse tipo de iniciativa melhora até a auto-estima do aluno que, conseqüentemente, não fica tão vulnerável a fatores externos prejudiciais, como o apelo das drogas, comentou a professora, que gosta de sempre iniciar as aulas com uma oração em conjunto com os alunos.
Munidos de câmeras fotográficas e muita criatividade, as equipes se dividiram para criar as cenas literárias. Um cemitério, o Lago Igapó, e uma casa da Avenida Higienópolis fizeram parte das locações para a adaptação da ficção de Pedro Bandeira, que conta a história de uma rapaz, morto há três dias, que não tem consciência da sua morte e continua em contato com os seus amigos. O elenco foi composto por alunos, funcionários do colégio e até transeuntes, convidados de surpresa a participar da montagem. O trabalho também envolveu pesquisa em sebos e leitura apurada dos livros.
A história tem um enfoque sobrenatural que os alunos adoram. Quando li o livro pela primeira vez, eu o fiz compulsivamente, afirmou a professora.
Bastante motivados, os alunos comentaram que adoraram a aula de literatura diferenciada. O projeto foi maravilhoso e eu até perdi a vergonha de ser fotografada. Outra coisa boa é que não temos mais tantas aulas de gramática, elogiou a aluna Natália Fabiane Ridão. Por outro lado, a professora Elizabete ponderou que não dá para fugir totalmente do sistema tradicional de ensino, mas que é possível resgatar o prazer da leitura com criatividade.
O projeto foi batizado de Erico Verissimo, autor que teve muitas de suas obras adaptadas para a linguagem das fotonovelas. Os interessados em patrocinar a impressão dos materiais desenvolvidos pelos alunos podem entrar em contato pelos telefones (43) 3028-6388 (com Elizabete) e 3338-5801 (com Renata).


