Simone Mattos
De Curitiba
O veterano fotógrafo curitibano João Urban, com mais de 30 anos de carreira e dono de um currículo respeitável, acaba de ser beneficiado com uma bolsa da Fundação Vitae, de São Paulo. O prêmio possibilitará a realização de um documentário fotográfico sobre a festa de São Benedito, realizada anualmente na igreja Nossa Senhora do Rosário, em Aparecida do Norte (SP).
A idéia surgiu em abril do ano passado, quando o fotógrafo esteve presente na tradicional festa. Reunindo centenas de pessoas de várias partes do País, em geral representantes das comunidades negras, o evento celebra o sincretismo das religiões africanas e do catolicismo.
Durante quatro dias, cerca de 60 grupos de Congada, Moçambique e Marujada desfilam e dançam pelas ruas da cidade, animando os participantes. ‘‘Quero registrar os personagens que povoam este universo de religiosidade, saber quem são, onde vivem e o que os faz ficar ali dançando durante quatro dias’’, comenta Urban.
Outra intenção do fotógrafo é estabelecer comparações entre esta comemoração e a tradicional festa de Nossa Senhora Aparecida, que todos os anos leva milhares de romeiros católicos à cidade. ‘‘A festa de São Benedito não tem a mesma divulgação da outra, apesar de ser rica em personagens e tradições’’.
Para realizar seu trabalho, Urban pretende montar um estúdio fotográfico em Aparecida do Norte, onde permanecerá durante o evento, além de realizar diversas outras viagens ao local e aos municípios da região do Vale do Paraíba, inclusive visitando a festa de Nossa Senhora Aparecida.
Através de particularidades existentes nas batidas e nas letras das músicas, nas danças, nos instrumentos, nos trajes próprios e nos estereótipos vividos pelos personagens, a festa realizada em abril resgata as maneiras de aproximar as religiões, utilizadas por brancos e escravos no século XIX.
‘‘Manifestações como a Congada e a Marujada eram formas que os escravos encontraram para poderem continuar praticando com segurança os seus ritos africanos e cultuando suas entidades’’, conta Urban. ‘‘Também era aí que os brancos encontravam uma forma de aproximar os negros do catolicismo’’.
Depois de pronto, Urban pretende transformar o documentário da Festa de São Benedito em exposição fotográfica ou livro, dependendo de futuros patrocínios. ‘‘Independente disto, o documentário será um registro importante, que estará sempre à disposição da sociedade’’, comenta.
A bolsa que beneficiará o seu projeto foi concedida pela categoria Bolsas Vitae de Artes, que avalia pesquisas nas áreas de literatura, artes visuais, música, teatro, dança, fotografia, cinema e vídeo. O valor aproximado para cada projeto selecionado é de R$ 20 mil.
A Fundação Vitae é um sociedade civil sem fins lucrativos, que apoia projetos nas áreas de Cultura, Educação e Promoção Social, com o objetivo de contribuir para a melhoria da qualidade de vida da comunidade.

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