O fascínio pelas cidades levou o fotógrafo mineiro Fernando Montalvão a passar três meses percorrendo Curitiba a pé com uma máquina na mão. Foram 300 quilômetros entre bairros e centro que resultaram em 60 fotografias que estarão expostas a partir de hoje, no Sesc da Esquina, na mostra intitulada ‘‘Mapas Urbanos’’.
‘‘As cidades são as selvas modernas. Mas o que me interessa são o inchaço patológico, o esmagamento do ser humano, os signos’’, reconhece. Fernando cita por exemplo, que fotografa um outdoor e apenas a cabeça de uma pessoa, ou uma parede e a mão pedinte de um mendigo. ‘‘Os signos remetem a alguma coisa que nos diz respeito ou ao nosso espaço. Por isso, a cidade é ao mesmo tempo uma moeda de ouro e esqueletos.’’
Usando uma máquina amadora, Fernando conta que passava até oito horas fotografando. Por isso preferiu um equipamento simples, mas que possibilitasse planos fechados e comprimisse a perspectiva em espaços bidimensionais. ‘‘Com os planos urbanos, trabalho os elementos plásticos e a luz’’, confirma.
Curitiba foi escolhida por ser a cidade onde mora. ‘‘Escolhi a cidade para criar meus filhos. Mas reconheço que tenho uma antipatia atávica pela cidade. Daqui quero levar a exposição para a cidade do México e para São Paulo, que são duas cidades caóticas, onde o ser humano aparece como um grafema.’’
O fotógrafo afirma que não considera, como muita gente, a fotografia como linguagem universal. ‘‘Não trabalho a pobreza, com pessoas pedindo e crianças abandonadas, deixo isso para a Sociologia, mas a fotografia como luz, recorte e espaço, onde o homem aparece apenas como referência’’, explica. As fotos de Montalvão mostram as ambiguidades visuais, os mistérios, os mais diversos tipos de solidão, exclusão social, alienação e beleza.
Fernando Montalvão profissionalizou-se em 1995, atuando no campo da pesquisa e publicidade. Mineiro de Cataguazes, há muitos anos está fixado em Curitiba. ‘‘A fotografia sempre esteve presente na minha vida, mas de forma diletante.’’ Profissionalmente, Fernando trabalha a síntese da imagem. ‘‘A fotografia é apenas um instante e o fotógrafo não pode perder o momento certo, o significado da imagem.’’
As fotos de Montalvão estarão à venda por R$ 70,00 e trazem um certificado de garantia de 50 anos. As ampliações têm 0,30 por 0,45 centímetros e vêm com paspature, sem vidro, nem moldura. ‘‘Isso fica por conta do gosto de cada um.’’
‘‘Mapas Urbanos’’, exposição fotográfica de Fernando Montalvão, a partir de hoje, às 19 horas, até o dia 27 de junho, no Sesc da Esquina (Rua Visconde do Rio Branco, 969, 4º andar). Informações: 322-6500.

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