Ao deparar com a beleza das fotografias registradas no espaço pelo Hubble, é natural a pergunta: que equipamento fotográfico utiliza?
  Aurora de Saturno - distância média do Sol = 1,43 bilhão de km Galáxia Sombrero - distante 28 milhões de anos luz da Terra
Fotos: NASA / ESA
  Suas câmeras fotográficas instaladas em 1990 (além de outros equipamentos) sofreram aprimoramentos em missões de 1993, 1997 e 2002, levando em conta experiências anteriores, novas exigências e o ‘‘estado da arte’’ da ciência e tecnologia. Como exemplo, o sistema WFPC2 (Wide Field Planetary Camera 2) instalado em 1993 (ainda operacional), é composto de quatro câmeras com sensores CCD especiais (cinza em vez dos tradicionais vermelho, verde e azul - RGB), de 0,64 megapixel (a resolução de uma câmera simples de um telefone celular), totalizando 2,56 Mpx. Mas a comparação pára por aí: seu sistema preciso, robusto e avantajado, permite detectar luz tênue das profundezas do universo com intensidade de até 1 bilhão de vezes menor (nebulosas, por ex.) do que as enxergadas pelo olho humano. Para reduzir ruídos decorrentes da amplificação desses sinais débeis utiliza equipamentos mantidos à temperatura baixíssima de - 203 ºC (203 graus abaixo de zero).
  No WFPC2, por exemplo, há 48 filtros (12 instalados em discos giratórios em cada câmera), que permitem que os cientistas capturem e estudem precisamente os comprimentos de onda registrados em todo espectro que vai do infravermelho, luz visível até o ultravioleta (esta não capturada por telescópios terrestres por ser atenuada pela camada de ozônio). Tais imagens (sinais digitais compostos de zero e um) são enviadas a computadores da Terra em preto e branco, convertidas para luz visível e tratadas (com processo semelhante ao processo HDR -High Dynamic Range utilizado por alguns fotógrafos), resultando nas imagens coloridas, com plenitude de cores e riqueza de detalhes, que nenhum olho humano conseguiria enxergar. Tal ‘‘arsenal’’ fotográfico a bordo do Hubble, contará na próxima missão prevista para 2009, com o novo sistema WFC3 (Wide Field Camera 3).
  Lentes gravitacionais - Funcionam como gigantescos telescópios cósmicos. Decorrente da curvatura na trajetória da luz (proveniente de galáxias distantes) ao passar próximo a concentrações de massa muito grande provoca imagens duplas ou múltiplas do mesmo objeto (galáxias distantes) em forma de arcos luminosos, relativamente comuns nas imagens obtidas pelo Hubble. Como é necessária muito mais massa do que a fornecida pela soma das massas das galáxias contidas no aglomerado, a existência das lentes gravitacionais é considerada um dos indícios da matéria escura (diferente do conceito de buracos negros), de natureza ainda desconhecida. A ação gravitacional sobre a luz é prevista pela Teoria da Relatividade Geral.
Mário Jorge de O. Tavares - Foto Clube de Londrina.
  Agradecimentos ao leitor Roberto Márcio Sant’André pelo questionamento - ponto de partida deste artigo. À NASA (Agência Espacial Norte-Americana), à ESA (Agência Espacial Européia) e à Johns Hopkins University, pelas informações técnicas fornecidas sobre o Hubble. Ao Prof. Dr. Mário Goto, do Depto. de Física da UEL pelos esclarecimentos prestados sobre lentes gravitacionais.

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