Em meio ao debate de lançamento da nona edição do principal prêmio de fotografia do Brasil, que aconteceu na terça-feira, em São Paulo, um senhor de 87 anos pede o microfone e põe a boca no trombone: ''Para mim, fotografia em movimento é cinema'', diz, inconformado com o regulamento da 9 edição do Prêmio Porto Seguro de Fotografia, que abre a possibilidade para inscrições de vídeos - como já o faz desde 2005. O senhor em questão, German Lorca, fotógrafo desde 1949, recebeu em 2003 a honraria principal do evento - o que corresponde a R$ 40 mil neste ano. ''Mas eles sabem que sou polêmico e que tenho certeza do que estou falando'', diz. ''Se vier DVD, tá fora'', comenta Lorca, que é um dos jurados da edição.
''Lorca, você instituiu a fotografia moderna no Brasil; agora está chegando uma nova turma, com outras ideias'', contemporiza o curador da edição, Tadeu Chiarelli - que completa: ''Estamos vivendo um momento de trânsito entre as definições, o que o prêmio de fotografia espelha''. Se a abertura para a inscrição de imagens em movimento não é novidade, a partir desta edição são aceitos arquivos digitais de imagens feitas por celular. Como o próprio Chiarelli e Cildo Oliveira, curador geral do evento, frisaram durante o debate, o prêmio busca estar aberto ao máximo de interessados. Oliveira comenta que sempre recebem muitos vídeos, em sua maioria de qualidade ruim. ''Na maioria são fotógrafos que não tem familiaridade com o vídeo'', explica.
Na última edição, sob a temática ''retrato em questão: a imagem brasileira'', o evento recebeu 1360 inscrições, um montante de 8468 obras de quase todos os estados brasileiros - a exceção ficou por conta do Tocantins. A definição do tema desta edição, a fotografia e o tempo, é a mais ampla possível. ''A sua relação com o tempo é o âmago da fotografia. E abre a possibilidade de explorar qualquer tema'', pontua Chiarelli, o curador escolhido para esta edição. A questão mais aberta também reflete a necessidade da fuga de temáticas específicas, o que acarretaria, na opinião do curador, em uma enxurrada de imagens previsíveis.
O artista plástico Cildo Oliveira, à frente do concurso desde o início, ao lado de sua sócia, a produtora Sandra Ramos, 48, defende o prêmio como o mais importante do Brasil por vários aspectos: da tradição que vem se formando - completa dez anos em 2010, o da possibilidade de qualquer pessoa residente no Brasil participar, por ser, em sua concepção, o único aberto para todas as linguagens e também por dar o prêmio mais alto em dinheiro. Neste ano, o evento tem orçamento superior a R$ 800 mil, através da Lei Rouanet, valor deduzido do imposto de renda da empresa - a primeira edição, de 2001, também pela lei federal de incentivo à cultura, foi orçada em R$ 50 mil.
Na categoria Especial, do prêmio no valor mais alto, as indicações são feitas por um colegiado, via e-mail, dos que já foram jurados, selecionados e premiados pelo festival - ou seja, não há como se inscrever. Em São Paulo, Brasil e Pesquisas Contemporâneas - a que também aceita outras mídias e imagens de celular - a premiação é de R$ 18 mil por categoria. As inscrições (de três a dez imagens impressas) devem ser enviadas pelo correio até o dia 13 junho ou entregues pessoalmente até o dia 21 (o endereço e regulamento estão disponíveis no site www.portoseguro.com.br/fotografia). A data também é a limite no caso das imagens de celular; e, neste caso, as inscrições recebidas exclusivamente por e-mail.

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