O sotaque diferenciado já denuncia que Anderson Coelho, 27 anos, não é daqui. Natural de Belém do Pará, ele aportou em Londrina motivado pela oportunidade de fazer mestrado em Comunicação Visual pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Devido à experiência como fotojornalista - formado na prática - no Diário de Pará, desde novembro de 2011 faz parte da equipe de fotógrafos da Folha de Londrina. Boa gente e sorridente, recebeu com tranquilidade a notícia que conquistou dois prêmios nacionais: duas menções honrosas na 4ª edição do Prêmio Top Etanol, do Projeto AGORA, que recebeu 375 inscrições (177 na categoria de fotografia), e o primeiro lugar no II Prêmio de Jornalismo em Turismo "Comendador Marques dos Reis", promovido pela Companhia Paraense de Turismo (Paratur) e Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo do Estado do Pará (Abrajet Pará), que teve 104 inscrições (12 de fotografia). Nos dias 27, em São Paulo, e 28, em Belém, ele recebeu as premiações dos respectivos prêmios. Cada menção honrosa resultou em premiação de R$ 500; já o primeiro lugar rendeu R$ 10 mil.
No Top Etanol, as duas fotos responsáveis pela menções honrosas foram feitas durante pauta do suplemento Norte Pioneiro, da Folha de Londrina. Com enfoque na produção de cana-de-açúcar, as fotos revelam diversas nuances da paisagem de uma fazenda de plantação de cana, incluindo uma que tem um caminhão de etanol passando ao fundo, tendo como primeiro plano um terreno descampado.
No prêmio "Comendador Marques dos Reis", que tem como enfoque o incentivo ao turismo do Pará, Coelho ganhou por três fotos publicadas em janeiro em uma reportagem da revista Bem Viver da Unimed Londrina sobre o Pará, em que também foi entrevistado para falar das belezas típicas do lugar. Um detalhe dos molhos de pimenta (que normalmente acompanham o tucupi), o altar da Catedral da Sé, em Belém, e uma foto geral da Praia do Vai-Quem-Quer, na Ilha de Cotijuba, garantiram o primeiro lugar na premiação.

Fotojornalismo x vida acadêmica

Formado em Letras, com habilitação em língua portuguesa, pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Anderson Coelho pretende levar adiante a dobradinha "fotojornalismo x vida acadêmica". Após concluir a dissertação de mestrado "Belém da Saudade: A construção das cidades ficcionais fotográficas nos cartões-postais da Belle Époque", que defende no próximo dia 12 de julho, ele almeja já investir em projeto para doutorado. Ao dar continuidade ao mesmo tema da pesquisa, desta vez se dedicará mais à análise do discurso da memória e melancolia da Belle Époque formado através da imagem. Pela UEL, ele também fez o curso de especialização em fotografia.
No mestrado, o objetivo da pesquisa foi identificar e analisar a existência de "ficções fotográficas" nos cartões postais de ruas e cotidianos de Belém compilados no livro-álbum Belém da Saudade, obra com farta documentação postal de Belém da Belle Époque dos meados do século XX. Nesse período, modificações ocorreram no espaço social e urbano por conta do célere crescimento ocasionado pela economia da extração e comercialização da borracha. No trabalho, pressupõe que os "retratistas da urbe" criaram ficções urbanas fotográficas para divulgarem a beleza da metrópole, imagens que mostrariam que a modernidade havia chegado à desconhecida e exótica selva amazônica em meados do século XX. Outros interesses do fotógrafo são o fotodocumentarismo e técnicas artesanais de fotografia.

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