FOTOGRAFIA BRASILEIRA EM FOCO
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de setembro de 2001
Francelino França 
A diversidade de linguagens e o processo reflexivo por trás de um ensaio fotográfico inquietou novamente a jornalista e fotógrafa Simonetta Persichetti. Ela agrupou novamente nomes expressivos no livro-reportagem ''Imagens da Fotografia Brasileira 2'' e direciona um foco de luz sobre profissionais da novíssima geração, que transitam no limiar entre fotografia e artes plásticas. ''Imagens da Fotografia Brasileira 2'', editado pela Estação Liberdade e Senac/São Paulo, reúne 17 nomes de ponta nessa vertente da fotografia.
Simonetta Persichetti dá visibilidade e voz a nomes como Tiago Santana, Celso Oliveira, Miguel Rio Branco, Celso Oliveira, Manuel da Costa, Rosa Gauditano, para citar apenas alguns. O livro chegou às livrarias há alguns meses. A especialista está em Londrina hoje para uma noite de autógrafos do segundo volume de ''Imagens...'' (na Livraria Bom Livro) e aproveita o feriado prolongado para ministrar a oficina ''Estética da Fotografia Latino Americana e do Brasil'', direcionada aos alunos de Especialização em Fotografia da Universidade Estadual de Londrina. Simonetta se debruça sobre o estudo da estética fotográfica há 20 anos. Colaboradora do jornal ''O Estado de São Paulo'', professora de Teoria da Comunicação, Percepção e História da Fotografia, em São Paulo, ela defendeu recentemente tese de doutorado sobre a estética da fotografia documental na América Latina.
''A imagem ainda é pouco valorizada na nossa imprensa'', constata na apresentação da obra. Esse trabalho germinou da publicação de matérias no Estadão e se traduz como uma pequena amostragem da historiografia brasileira. Simonetta Persichetti concedeu uma entrevista à Folha2, por telefone. A seguir, alguns flashes do bate-papo.
O Brasil é um celeiro de bons fotógrafos?
Sem dúvida. Em relação à fotografia americana e européia, faltam pesquisadores no Brasil e América Latina. Temos poucos historiadores que se dedicam a esse tema. Existe um material grande e requer muito tempo de pesquisa. Temos bons fotógrafos levando o nome do Brasil lá fora, além do Sebastião Salgado, como o Mario Cravo Neto, Miguel Branco e o Tiago Santana.
Qual foi o processo de seleção desta leva de 17 fotógrafos?
O primeiro livro reuniu 50 anos da boa fotografia brasileira de 1940 a 1990. Agora, os nomes escolhidos do segundo volume apontam caminhos e são pessoas de ponta na fotografia atual, importantes na transformação da linguagem, na quebra de fronteiras entre fotografia e artes plásticas.
O fotojornalismo dá conta de retratar a nossa diversidade sócio-cultural?
O fotojornalismo passa por uma crise do próprio jornalismo. A fotografia figura como mera ilustração. Existe um mal aproveitamento da informação. O que a gente vê é um jornalismo espetáculo. Estamos passando por um período de transformação. Essa crise é no sentido positivo. O que a gente vê é fotojornalismo de personalismo. É só retrato, retrato, retrato. Não temos fotografias de tirar o fôlego. O momento está pedindo outras coisas. Mais espaços para livros, exposições e mostras. Apesar de que nunca foram publicados tantos livros de fotografia.
Podemos esperar o terceiro volume?
Sim. Será um livro em que destaco mais a fotografia contemporânea.
Noite de autógrafos do livro ''Imagens da Fotografia Brasileira 2'', das editoras Estação Liberdade e Editora Senac, com a jornalista e fotógrafa Simonetta Persichetti, hoje, das 18 às 20 horas, na Livraria Bom Livro (Shopping Center Catuaí). Preço do exemplar: R$ 39,00.


