Um caleidoscópio do dia-a-dia do fotojornalista. Essa é idéia da exposição dos oito fotógrafos da Folha de Londrina, que será aberta hoje, na entrada principal do Shopping Catuaí, como parte das comemorações do aniversário de 55 anos do jornal. Mais de 30 fotos coloridas em 25 x 30 centímetros estarão expostas, refletindo o cotidiano do repórter fotográfico.
A mostra traz trabalhos de Milton Dória, Dorico da Silva, César Marinho, Paulo Wolfgang, César Augusto, Karina Yamada, Carllos Bozelli e Sérgio Ranalli. Na abertura da exposição, o ilustrador Papito estará fazendo caricaturas.
O editor de fotografia da Folha, Milton Dória, explica que a exposição não traz apenas imagens essencialmente fotojornalísticas, mas a produção do fotojornalista nos dias atuais. ''Além do registro de assaltos, protestos, essa produção hoje inclui agricultura, arte, cenas do dia-a-dia'' conta. Milton Dória, há 20 anos na profissão, diz se tratar de um leque que se abre para o fotojornalista, que tem de ser especializado em assuntos gerais.
Ou seja, o profissional deve ter a malícia que a profissão ensina de aproveitar o momento da foto, saber que ela pode ser fragmentada e retirada de determinada cena. ''A exposição é um pouco disso, das cenas em que o fotógrafo tropeça todo dia''.
Para selecionar as fotos, Milton Dória vasculhou o arquivo digital da Folha desde o ano de 1998, partindo de imagens fotojornalísticas e que também fossem esteticamente bonitas. Das produções de Dória estarão expostas cenas como a da geada de 2000 e a da colheita (que recebeu o Prêmio CNA de Fotojornalismo em 2002).
Do fotógrafo Carllos Bozelli, há oito meses na Folha, o público poderá ver imagens como a do arrastão feito este ano pela Polícia Militar em bairros da cidade ou da apresentação de taikos, os tradicionais tambores japoneses, no palco do Cine-Teatro Ouro Verde.
Um dos mais novos repórteres do quadro de fotografia do jornal, Bozelli está na profissão há 17 anos. Para ele, o fotojornalismo é um trabalho dinâmico, que o coloca em contato com muitas pessoas e em diversas situações num mesmo dia. ''De manhã você faz uma pauta na favela e, à noite, pode cobrir um jantar na casa do governador. É um contraste''.
Na opinião de César Marinho, fotógrafo da Folha há 12, o fotojornalismo está se fundindo com outras áreas da fotografia, o que requer do profissional um conhecimento amplo. ''Fazemos moda, comportamento, polícia... em cada situação, para obter a melhor foto possível do momento, é preciso ter esse conhecimento. Se não estiver bem informado, ninguém consegue bons resultados'', analisa César Marinho. ''A exposição mostrará as múltiplas faces do fotojornalismo''.
Antes de se tornar fotógrafo da Folha, César Marinho foi office-boy e laboratorista da empresa. ''Grande parte do meu conhecimento em fotografia se deu no laboratório. Eu revelava fotos de outros profissionais e tinha contato com várias percepções. Foi uma base fundamental para a minha formação''. Entre as fotos de Marinho estão a de uma manifestação popular no Jardim União da Vitória, em 1998, e a de estudantes pulando catracas de ônibus.
A repórter fotográfica Karina Yamada está na Folha há três anos e acredita que o mais fascinante da profissão é a diversidade de assuntos com que o fotógrafo tem contato. ''É uma função que traz muita realização, por ser dinâmica e por ajudar a provocar mudanças na sociedade. A gente tem esse retorno no jornal''.
Aos 23 anos, o mais novo fotógrafo da equipe, Sérgio Ranalli sete anos de profissão e sete meses de Folha deixou de fazer exclusivamente trabalhos autorais para entrar no fotojornalismo. ''Antes fazia documentários. Agora entrei na pauleira; são seis, sete pautas por dia. Tive que me adequar à linguagem, já que o fotojornalismo exige soluções estéticas e técnicas e a resolução das coisas num tempo muito curto. O fotógrafo tem de estar muito atento, senão em segundos pode perder uma boa imagem. E não dá para voltar para a redação sem material!'', detalha. Uma curiosidade na exposição é que uma das fotos de Ranalli foi sua primeira pauta na Folha: um jogo de basquete masculino no Moringão.
Quem não troca a fotografia por nada é César Augusto, há seis anos fotógrafo da Folha. ''Se tivesse que trabalhar num escritório estaria perdido. Gosto do que eu faço porque ando livre por aí, captando coisas tristes ou alegres. Não fico preso a praticamente nada'', conta. Ele diz que o melhor disso tudo é conseguir os flagrantes. ''São as melhores fotos. No momento em que as coisas estão acontecendo, nada é armado''.
Paulo Wolfgang, 34 anos 17 na profissão e 12 na Folha acredita que o exercício do fotojornalista está mais difícil, por causa de uma série de restrições legais. ''Não é todo mundo que pode ser fotografado ou a pessoa não quer de jeito nenhum'', justifica. ''Por outro lado, o dinamismo é muito legal. A gente tem que pensar rápido, sem esquecer de aplicar o conhecimento técnico. E procurar dizer tudo em uma foto''.
A exposição terá ainda trabalhos de Dorico da Silva, o fotógrafo que tem mais tempo de Folha: 27 anos. Ele adora as cenas rurais e curiosidades da rua. Entre os trabalhos escolhidos para a mostra, o público poderá rever as fotos do bicho da seda, da criação de gansos e de uma aula de corte suíno.

Serviço:
- Exposição fotográfica em comemoração aos 55 anos da Folha de Londrina. De hoje a domingo, na entrada principal do Catuaí Shopping Center, em Londrina.

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